Chameleon · Faixa 11 · 9:12 · Composição: Michael Kiske
Nove minutos. Cordas de orquestra de verdade. Uma confissão de fé escancarada num disco de heavy metal. "I Believe" é a música mais ousada que Michael Kiske escreveu no Helloween — e, por sorte nossa, ele fala dela como uma das duas faixas favoritas do Chameleon: "essas são realmente eu".
Kiske estava numa fase de despertar espiritual muito intenso quando compôs. Diz que "I Believe" e "Longing" não foram construídas: estavam ali, e ele só colocou pra fora. Ele cita Bob Dylan, que teria dito que não escreveu certas canções, apenas as pegou no ar — e que hoje não conseguiria fazer aquilo de novo. Kiske sente o mesmo sobre essas duas.
A letra não faz rodeio: menciona diretamente o que "JC" — Jesus Cristo — disse. Kiske explica que essa convicção não veio de família nem de igreja; ele diz que assistiu a um filme aos 12 anos e simplesmente soube que aquilo era verdade. O que mudou no início dos 20 anos foi a intensidade, quando, nas palavras dele, a personalidade da gente desperta. Não é rock cristão — é alguém escrevendo sobre a própria experiência interna e deixando na letra.
O arranjo de cordas foi gravado com músicos da NDR Symphony Orchestra, de Hamburgo, e quase não deu certo. A banda pagou um arranjador e o resultado não soou grande. Kiske explicou o que queria com uma imagem simples — não Mozart, e sim Wagner — e foi o primeiro violinista quem sentou por duas ou três horas, reescreveu todas as notas e entregou exatamente o que ele ouvia na cabeça.
A melhor história da faixa: o cantor alemão Udo Lindenberg, um dos maiores nomes da música na Alemanha, passou pelo estúdio enquanto gravavam. Tocaram "I Believe" pra ele. A sentença foi: aquilo não era uma música, era um estado — em alemão, um Zustand. Um retrato da alma, não uma canção. Kiske gostou tanto que guarda o comentário até hoje.
👉 Leia a entrevista completa em que Kiske conta a história de cada faixa.
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