Com apenas 18 anos, Michael Kiske entrou para o Helloween e mudou o power metal para sempre. Sua voz angelical e potente nos discos Keeper of the Seven Keys (1987/1988) definiu o padrão de vocalista do gênero.

Depois de uma saída conturbada em 1993 e anos declarando distância do metal (com projetos como Unisonic, Place Vendome e participações no Avantasia), Kiske fez as pazes com o passado e retornou em 2016 para a histórica reunião Pumpkins United.

Hoje, vê-lo no palco cantando “Eagle Fly Free” e “I Want Out” ao lado do Andi Deris é um daqueles momentos que todo fã achou que nunca veria. Pura emoção.

A saída não foi escolha dele: “eles me demitiram”

A versão que circulou por décadas — a de que Kiske abandonou a banda — não é a dele. Em entrevista de 2026, o cantor foi categórico: “eles me demitiram, não fui eu quem tomou essa decisão”. Mas ele não se coloca como vítima: reconhece que, naquela altura, estava plantando bombas — quando os colegas reclamavam de algo, ele fazia de propósito ainda mais, porque subconscientemente já sabia que precisava sair. A prova, pra ele, é a própria reação: ficou desapontado por um dia e no seguinte estava em paz.

A briga que ele comprou por Ingo Schwichtenberg

O episódio mais duro da despedida não foi sobre ele. Kiske conta que Ingo Schwichtenberg recebeu a promessa de ter o emprego de volta depois do tratamento — promessa que não foi cumprida. Ele afirma ter sido o único, naquela reunião, a defender que a palavra fosse honrada; todos os outros pensavam diferente. Três semanas depois, ele também estava fora. Kiske foi ao enterro do amigo e, sobre a morte precoce, foi honesto: disse que não ficou surpreso. Fez questão, porém, de exaltar o baterista — alguém que nunca aprendeu formalmente, batia com uma força que descascava as baquetas no meio do show, e tinha uma paixão no toque que ninguém mais tinha.

O compositor: quatro músicas no Chameleon e uma fase espiritual

Kiske não foi só a voz — assinou músicas em todos os discos da primeira passagem. Em Chameleon (1993) são quatro: “When the Sinner”, “In the Night”, “I Believe” e “Longing”. Ele conta que vivia uma fase espiritual intensa, e que “I Believe” e “Longing” simplesmente saíram — “Longing” foi escrita em dez minutos. São as duas favoritas dele no disco: “essas são realmente eu”.

Ele também desmonta a lenda de que o Chameleon é “culpa” sua: fez as suas quatro músicas como cada um fez as suas, e a narrativa foi construída depois do fracasso comercial — algo que, segundo ele, os envolvidos admitem hoje.

Kiske hoje: shows divididos e a chance de voltar a compor

Na formação de sete, dividir o microfone com Andi Deris deixou tudo mais leve — e ele agradece: não precisa mais segurar duas horas de show sozinho. Elogia Deris sem economia, dizendo que o colega deu motor de volta na banda em 1994 e que, sem ele, o Helloween talvez não tivesse sobrevivido.

Kiske não compõe pro Helloween há dois álbuns, mas deixou a porta aberta: a banda pediu material pro próximo disco — que, segundo ele, já está praticamente gravado — e ele respondeu que precisa de silêncio pra escrever, mas que “cedo ou tarde” vai escrever alguma coisa.

👉 Leia a cobertura completa da entrevista de Michael Kiske ao Talk Is Jericho.